08/12/2015
Sou brasileira, do Rio de Janeiro, vivi fora do Brasil alguns anos e não aguentei de saudade, voltei. Quando estava na tão sonhada Europa, vi lugares lindos, cultura, coisas que funcionavam, riquezas, conforto... Mas também foi lá que descobri que não era branca, como se isso fosse importante. Era. Foi uma experiência fantástica, mas sempre sentia falta do calor humano, da natureza abundante, da variedade e cheiro das frutas, da natureza em geral. Me fazia falta, principalmente, o despojamento e a autenticidade das pessoas. Depois de observar outras culturas, me alegrava ser brasileira... um povo amigável, tolerante, verdadeiro, alegre e festeiro. Entendo que para mim era fácil viver aqui: era “branca”, classe média, zona sul. Mas meus amigos habitavam tanto os prédios quanto a favela atrás (Chapéu Mangueira). Todos dividíamos o mesmo espaço: praia, calçadão, escola pública. Os negros eram os moradores da favela, os “brancos” dos prédios e eu não era alheia a isto. O racismo e a desigualdade social brutal estão presente no Brasil desde que fomos invadidos por caçadores de fortunas alheias. Indiscutível nossa responsabilidade nisso. Minha dúvida neste momento se resume a uma pergunta que me faço todos os dias quando ligo a comunicação com o mundo e me deparo com barbaridades: “Da onde saíram estas pessoas torpes que atacam templos e pessoas de outras religiões, pedem a volta da carnificina da Ditadura Militar, xingam e agridem pessoas extraordinárias da nossa cultura, esbravejam ódio e boçalidades?” Não me acho ingênua, mas não conhecia ninguém assim. Onde estão fabricando esses monstros?
Outro dia li que um grupo de religiosos exigiu que o MP entrasse com um processo para a retirada da estátua de Iemanjá do rio São Francisco. Alegavam que, se o Brasil é um país laico, aquela estátua não pode estar num lugar público. OH! Será que estas bestas não sabem a diferença entre o direito individual de escolha de sua religião e a cultura de um povo? Não demora vão exigir a retirada do Cristo Redentor que está no morro do Corcovado, lugar público. Festa Junina na rua, Roda de capoeira, nem pensar. Também será proibido vestir branco e jogar flores no mar no dia 31 de Dezembro!
Onde vai dar isso?