sexta-feira, 11 de dezembro de 2015



08/12/2015




Sou brasileira, do Rio de Janeiro, vivi fora do Brasil alguns anos e não aguentei de saudade, voltei. Quando estava na tão sonhada Europa, vi lugares lindos, cultura, coisas que funcionavam, riquezas, conforto... Mas também foi lá que descobri que não era branca, como se isso fosse importante. Era. Foi uma experiência fantástica, mas sempre sentia falta do calor humano, da natureza abundante, da variedade e cheiro das frutas, da natureza em geral. Me fazia falta, principalmente, o despojamento e a autenticidade das pessoas. Depois de observar outras culturas, me alegrava ser brasileira... um povo amigável, tolerante, verdadeiro, alegre e festeiro. Entendo que para mim era fácil viver aqui: era “branca”, classe média, zona sul. Mas meus amigos habitavam tanto os prédios quanto a favela atrás (Chapéu Mangueira). Todos dividíamos o mesmo espaço: praia, calçadão, escola pública. Os negros eram os moradores da favela, os “brancos” dos prédios e eu não era alheia a isto. O racismo e a desigualdade social brutal estão presente no Brasil desde que fomos invadidos por caçadores de fortunas alheias. Indiscutível nossa responsabilidade nisso. Minha dúvida neste momento se resume a uma pergunta que me faço todos os dias quando ligo a comunicação com o mundo e me deparo com barbaridades: “Da onde saíram estas pessoas torpes que atacam templos e pessoas de outras religiões, pedem a volta da carnificina da Ditadura Militar, xingam e agridem pessoas extraordinárias da nossa cultura, esbravejam ódio e boçalidades?” Não me acho ingênua, mas não conhecia ninguém assim. Onde estão fabricando esses monstros?

Outro dia li que um grupo de religiosos exigiu que o MP entrasse com um processo para a retirada da estátua de Iemanjá do rio São Francisco. Alegavam que, se o Brasil é um país laico, aquela estátua não pode estar num lugar público. OH! Será que estas bestas não sabem a diferença entre o direito individual de escolha de sua religião e a cultura de um povo? Não demora vão exigir a retirada do Cristo Redentor que está no morro do Corcovado, lugar público. Festa Junina na rua, Roda de capoeira, nem pensar. Também será proibido vestir branco e jogar flores no mar no dia 31 de Dezembro!
Onde vai dar isso?

domingo, 21 de junho de 2015

UMA VERTENTE


Mais uma pessoa religiosa é atacada no Brasil, desta vez, um líder espírita assassinado. Ontem, uma menina saída de um culto de Candomblé. O que está acontecendo? Devemos nos fazer essa pergunta... Não são fatos isolados. O Brasil, um país absolutamente mestiço, sempre foi palco da liberdade religiosa, ao menos de tolerância. Nosso povo sempre conviveu pacificamente com todo tipo de credo. O que está havendo de diferente agora? Da onde está saindo essa gente fascista e assassina? Que plano é esse e o que está por trás disso?

Será que faz parte do pacote de desmoralização e, consequentemente, enfraquecimento do Brasil no cenário mundial? O Brasil está resistindo a entregar, como sempre entregou, suas riquezas e lidera um movimento na América Latina e África. É preciso observar. Desconfio de movimentos que surgem rapidamente com muita força e muito dinheiro e que são estranhos a nossa história e cultura. Parece, claramente, algo planejado, plantado, patrocinado. Não estou querendo nos redimir de nossos problemas e da nossa incompetência histórica. Só quero situar este crescimento fascista do momento, na história do Brasil e no momento mundial. Tenho observado a destruição planejada de países com petróleo e outras riquezas. Estamos acostumados a ver na grande mídia os horrores de religiosos “xiitas” de países árabes (cheios de petróleo), tão terríveis que justificaram invasões de suas terras por “países xerifes” da nossa civilização. Como foram também justificadas invasões de países para “retomar” a “democracia” das mãos de “ditadores inimigos do mundo”. Alguém derrubou uma lágrima quando Bagdá foi alvejada por mísseis norte-americanos? Não, aquilo era aceitável: “Eles eram maus”. Saddam Hussein era um ditador terrível! Como Kadafi, como Chaves. Quem nos disse isso? O que sabíamos destes países? Sabíamos somente o que a mídia mundial, patrocinada pelos países ricos, nos disse.

Vivemos uma civilização manipuladora e mentirosa. O objetivo é o de sempre: roubar riquezas de outros e manter (ou aumentar) o padrão de vida (consumo) e o poder. Existem várias maneiras de manter este ‘status quo’. Uma delas é criar qualquer coisa que justifique para a comunidade mundial uma invasão, o roubo. Neste cardápio temos: ditadores, corruptos, tráfico de drogas, assassinos religiosos, terroristas... Em geral fabricados pelos poderosos ou comprados por milhões de dólares.  Primeiro vem sempre a desmoralização, depois os “salvadores”.  Observem que, na verdade, estes países manda-chuvas, só se livram mesmo de seus inimigos, dos que provocam empecilhos para que tenham livre acesso às riquezas naturais, como sempre tiveram. Se não for de um jeito, será de outro. Aqui no Brasil, ainda não precisa jogar bombas, basta manter a ignorância do povo lhes negando acesso à educação, formando teleguiados. Esta é a grande arma para a América Latina. Além da corrupção, é claro. Essa sim, tem tudo a ver com nossa cultura e história. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

17 de Março de 2015

Um ponto positivo neste momento histórico é o fato de como as coisas estão claras!

16 de Março de 2015

Estamos vivendo um momento precioso na história do Brasil. Não deveríamos perder essa oportunidade. O povo está farto da corrupção que nos assola desde os tempos de colônia. Isso ficou claro. Fiquei observando as manifestações e, embora teleguiados, foi esse o motivo que levou grande parte daquele povo pra rua. Eu também quero participar de passeatas contra a corrupção! Mas botar a culpa em um único partido e direcionar flecha de ódio e desrespeito contra uma presidenta é absurdo e falso, manipulador, oportunista e machista. Isso não resolve. Trocar de partido não resolve. O sistema é corrupto. A Reforma política é sim um caminho para aperfeiçoar a democracia brasileira, na verdade, é fundamental. É hora de criar um novo sistema com instrumentos de proteção e punição exemplar para que a cultura corrupta seja impedida.
Eu também me pergunto: mas como fazer uma reforma política com um congresso corrupto? Cobrando (e nós já sabemos como) que a reforma seja encabeçada pela sociedade civil organizada: sindicatos, associações, entidades civis (OAB, UNE, CNBB, Evangélicos...), movimentos representativos (MST, MTST, LGBT...) e por aí vai.... 
Dessa forma poderíamos garantir a participação popular. De outra forma, não vejo a possibilidade de uma reforma sem retrocessos e sem legitimar os grandes negócios e a corrupção.

Já existe um projeto com propostas para a reforma, encabeçado pela OAB, CNBB, UNE e outros tantos. A mídia comercial brasileira não divulga. 
Alguns pontos interessantes do projeto:

-Proibição do financiamento de campanha por empresas e adoção do Financiamento Democrático de Campanha;
-Paridade de gênero na lista pré-ordenada;
-Fortalecimento dos mecanismos da democracia direta com a participação da sociedade em decisões nacionais importantes, a partir de referendos durantes as eleições de dois em dois anos.

Quanto aos fascistas, nazistas, teleguiados e boçais... Vão perder o Bonde da História.